Segunda proposta da germânica Ketzer Records, selo especializado em material Black Metal, a avaliar pela leitura do seu catálogo e das propostas que nos enviaram. Depois dos nacionais Lux Ferre, os Horncrowned surgem numa linha ligeiramente (ou talvez não) oposta.
É fácil diagnosticar o caríz bélico destas nove faixas que a banda nos imprime, adornada por uma vocalização gritada, tipicamente black e com uma restante instrumentalização forte. E quando dizemos forte referimo-nos a uma produção não tão suja/seca quanto poderiamos esperar.
É óbvio que aqui são raros os tempos em que podemos respirar, poucas são as alturas em que o ritmo baixa. Excepção feita, por exemplo, na introdução, "Outbreak of war", onde se ouvem uns tiros ao longe, marcação de território, ou não fosse a capa altamente sugestiva do que as nove faixas nos oferecem. Mas esse interregno demora 1m40 segundos. Como que de repente a banda acelera a execução, com as suas guitarras estridentes e a voz característica do Black Metal mais agressivo.
Mas este Black Metal Militarista chamemos-lhe assim, tem uma produção instrumental interessante, "abafada" por uma distorção natural neste género que chega a soar a catastrófico. Normal e interessante para os amantes do género, que tem recuperado seguidores nos tempos mais recentes.
Iniciamos aqui as audições, que serão três, ao material que a alemã Ketzer Records nos enviou. E fazêmo-lo da melhor maneira. O quarto registo de estúdio, segundo longa duração, e a oportunidade para conhecer um colectivo em relação ao qual apenas tinhamos ideias, apenas lhe conheciamos o curriculum.
E se sempre nos pareceu um colectivo que se vinha a sedimentar álbum após álbum, essa ideia ficou subscrita com a audição deste "Atrae Materiae Monumentum". Juntamente com um movimento tantas vezes colocado à margem (enquanto muitos defendem a sua auto-exclusão), mas que vai, paulatinamente, (re)ganhando adeptos.
E para isso contribui registos como este. Oito faixas. O contraponto à ideia de um estilo híbrido. Os Lux Ferre conseguem imprimir várias coisas sem que se perca a identidade (das faixas e do disco). Desde logo as letras em portugês em "O caminho", tema de abertura, acompanhado de uma vocalização e instrumentalização negras e arrastadas. Aqui não há lugar a uma execução rápida. Tudo muito lento.
Percurso inverso conheceu "Breu", a sexta faixa. Também em português mas já com os riffs e a rapidez conhecida do Black Metal. ALiás somos (e sempre fomos) a favor da introdução da nossa lingua em certos géneros. Este é um dos que melhor se aplica essa ideia. A mensagem passa com a mesma profundidade, quanto os temas cantados em inglês têm.
Depois antes da edição deste disco os Lux Ferre sentiram algumas entradas de line-up, com Pestilens a servir-se das guitarras e da composição das faixas, que, segundo a banda "permite explorar o lado negro do pensamento humano". Não é revolucionário mas é competente. Não se esperava que revolucionasse também mas a sua competência cativou-nos. Porque não os conheciamos a fundo.
A nossa parceiraRastilho vai para o palco. É o Rastilho Metal Night. Bandas do seu catálogo a actuar: Echidna, Switchtense e The Spietful. Dia 21 no Santiago Alquimista.
Editado a 23 de Outubro, "Anatomy of lies" é o resultado da força e da capacidade de composição dos My Eyes Inside, banda do Porto. Formados em 2005 vêm solidificando a sua sonoridade até estes oito temas. Temas que merecem ser dissecados e dissertados.
Desde logo pela abrangência muito elevada. Não se prendem a um estilo, não negam as suas referências. Partindo de uma base rock, quantas vezes stoner rock, deambulando para o metal, cortesia da boa prestação vocal de André Cordeiro.
Se muitas vezes procuramos lufada de ar fresco, os My Eyes Inside podem ser uma dessas opções. Não o são na perfeição, não são o cúmulo da originalidade, mas já denotam maturidade para receber uma boa critica. Com temas longos, "Road to the ground" tem pouco mais de sete minutos, outros temos com um lado emocional muito forte, como "Acceptance", ambos audiveis no myspace do grupo.
Aliás o stoner rock que a primeira faixa contém, é escondida com um lado mais rockeiro. rock puro. Por estes dias foi editado (ou vai ser, desculpem a imprecisão) o segundo disco dos Oblique Rain. Há aqui qualquer coisa deles também. Não na voz. Aí os My Eyes Inside encarnam outras ideias, e já que falamos em português, a forte voz de André Cordeiro lembra-me a de Pedro dos The Godiva.
Mas há temas mais compactos. Menos intimistas. "City of marigolds" é disso exemplo. Aqui a guitarra e a bateria domina. Amplo, competente e nada acidental, são adjectivos que podem e permitem caracterizar este disco dos My Eyes Inside.
Eis que recebemos (e ouvimos) o single dos Secrecy. Avanço a um novo trabalho, a Ethereal Sound Works compila-nos duas faixas (três para sermos mais precisos, uma vez que o tema título aparece numa single e em album version).
O Rock de caríz gótico dem que a banda se movimente é sobejamente conhecido por nós (e por vós). Daí que a maior atracção neste single e no disco está em ver o ponto de maturação que os Secrecy deram às suas obras. É sabido que se trata de um género exigente, uma vez que é extremamente maleável, vai beber a várias fontes. É fácil apontar vários nomes de topo no Rock gótico mundial, e em todos eles (ou pelo menos na maioria) apontam.se directrizes semelhantes.
Assim regista-se o bom gosto desde logo na capa do single (não sabemos se terá alguma conexão com a capa do longa duração) mas está muito bem conseguida. Depois a própria música aparece em muito melhor estado do que aquilo que a banda já nos dera para ouvir. Não se encontra nestes dois temas grandes rasgos vocais, aliás isso já contavamos.
Uma vocalização bastante linear, uma guitarra competente, da qual não falta o solo que une a música, a voz e a instrumentalização. O Rock gótico pode ser um género de tendências dispares, de gostos voláteis. De audições regulares ou nem por isso mas a qualidade que os Secrecy nos ofereceram nestas duas faixas é por demais evidente. O disco, assim tenhamos a oportunidade de ouvi-lo vai rodar bastante na nossa aparelhagem. E não o dizemos por simpatica. Não o costumamos fazer. Dizemos porque é mesmo.
Do melhor que a banda já fez e capaz de suscitar o interesse pelo longa-duração. Dois temas diferentes. Um rock. Outro introspectivo. Umcom guitarras, outro com programações. Ambos versáteis.
Um regresso que se saudou no ano passado mas que se consumou por estes dias. Os Inhuman voltaram aos novos temas, doze anos depois. Parece que foi ontem mas já passou imenso tempo. Tempo que os seus instrumentos não parecem sentir. Claramente revigorados. Com um grande som, imensamente melhorado, foram a surpresa e o myspace que mais tempos recorrido por estes dias. Pedro Garcia.
P - Doze anos entre gravações. As sensações, as motivações, que diferenças encontraram, estas ou outras, com a última vez que gravaram, em "Foreshadow"?
Entre a gravação do álbum “Foreshadow” e esta demo passaram 12 anos…Como deves calcular num espaço de tempo desta dimensão muitas coisas acontecem e no nosso caso isso não foi excepção. Em 1997 gravámos o “Foreshadow” num momento completamente distinto, o line-up da banda era outro, tínhamos um contrato discográfico, tivemos a sorte de trabalhar com 2 grandes produtores (Simon Efemey e Russ Russel), gravámos num excelente estúdio em Inglaterra e tínhamos objectivos, expectativas e ambições diferentes das que temos hoje. Na altura parecia que estávamos a viver um sonho e penso mesmo que o vivemos. Gravámos um álbum que pessoalmente ainda hoje me deixa orgulhoso e vivemos momentos realmente inesquecíveis. Actualmente, temos uma formação diferente com novos elementos e mesmo nós três, (Pedro Garcia, João Pedro Correia e Rogério Sequeira), da formação que gravou os discos da banda, somos hoje pessoas com modos de estar e pensar diferentes.
Penso que a motivação de fazer música é a mesma, mas o modo como a pensamos sofreu uma evolução. Para quem conhece o nosso trabalho desde a demo “Pure Redemption” em 1995, sabe que nunca nos repetimos e apesar de ser algo natural em nós, acabamos sempre por nos surpreender a nós próprios com a nossa música. Desta vez a inspiração levou-nos para caminhos bem mais obscuros do que alguma vez trilhámos, o que a princípio causou alguma inquietude mesmo no seio da banda, mas com o evoluir das composições e das gravações, realizadas na própria sala de ensaios, fomos naturalmente nos sentindo mais seguros do caminho que estávamos a seguir e actualmente sentimos que o material espelha o que queremos transmitir hoje em dia.
P - "The beast is rising" presumo que seja um auto....elogio digamos assim. Uma celebração ao vosso regresso, certo?
Exacto. Começou por ser uma frase que chamasse a atenção em relação a nós e para isso nada melhor do que a utilização de palavras que revelassem um retorno ou um novo começo. Afinal depois de alguns anos, nós próprios sentimos que a “besta” não tinha acabado, estava apenas adormecida dentro de nós e que o impulso de soltá-la era bastante forte. Penso que o fim dos Inhuman nunca foi fácil de entender nem para quem nos seguia, nem para nós próprios, julgávamos erradamente que era um assunto encerrado nas nossas vidas, no entanto, era um fantasma que nos atormentava e acabávamos sempre por pensar no assunto.
A música acho que revela a força que depositámos no regresso e a letra acaba por retratar de forma metafórica todo o sentimento que envolveu os Inhuman na decisão de voltar ao activo.
P - Falando agora das vossas faixas. Será correcto no vosso entender que a banda recupera (e ainda bem) alguma fa agressividade do início de carreira, mesclando.a com alguma actualidade e com algumas referências de "Foreshadow"?
Concordo plenamente. Acho ainda que para além disso a nova sonoridade leva-nos para ambientes mais negros dos que alguma vez tivemos. Se viermos a gravar um novo álbum, é esse o nosso desejo, penso que essa vertente mais pessoal e mais obscura que refiro será mais evidente. As composições estão a avançar nesse sentido. Temos bastantes ideias para trabalhar e o conceito lírico está completamente definido. Em relação às referências do álbum anterior, julgo que se prendem essencialmente com a composição dos temas e não com a música em si. O “Foreshadow” foi marcante em termos da construção da nossa música, acho que aí realmente definimos a orientação da forma de compor da banda.
P - Presumo que irão enviar o material para editoras, já começaram nessa tarefa? O que têm agendado e que nos possam contar?
Ainda não, seguramente iremos fazê-lo até final do ano. Pensamos enviar a demo para algumas editoras que poderão interessar-se pelo material. Já houve algumas que demonstraram interesse em ouvir, mas por agora é prematuro estar a falar deste assunto. Esperamos no início de 2010 ter algumas respostas.
P - Entretanto com o vosso regresso tocaram ao vivo. Além de recuperar o folego, os temas cresceram ao vivo ou nem por isso?
Ainda só demos 2 concertos desde o regresso, sinto que ainda não temos a rodagem de outros tempos, todavia, julgo que a maturidade com que o tempo nos presenteou dá-nos outros argumentos que jogam a nosso favor. Quanto aos temas da banda, as saudades de voltar a tocá-los transparece na interpretação ao vivo, o que só os enriquece.
P - Por alturas do verão entrevistei os Bell Witch, o que é feito deles? Na altura andavam à procura de vocalista...
Pelo que sei continuam à procura de vocalista, o que nunca é tarefa fácil, no caso deles, ainda mais complicado porque tiveram um grande executante nessas funções. Faço votos para que tão breve quanto possível também voltem ao activo.
P - Antes de finalizar, como encaram as sucessivas (porque acredito que assim seja) manifestações de agrado com o vosso som actual e com o vosso regresso?
Encaramos com extrema humildade, como sempre fizemos em relação às reacções relativas ao nosso trabalho. Ficamos naturalmente sensibilizados e gratos a todos aqueles que diariamente o fazem através de mensagens ou pessoalmente.
P - Mensagem final....
Em nome dos Inhuman quero agradecer-te pela oportunidade de chegarmos aos teus leitores e apelar que fiquem atentos ao nosso trabalho e aos nossos concertos.
Novidades da alemã Ketzer Records. Fez-nos chegar os seus três lançamentos mais recentes, onde se inclui o novo disco dos lusos Lux Ferre, bem como Angmar e Horncrowned. Brevemente em review por cá.
Das 21h às 23h - Imperial a 1,00 Eur Das 22h às 00h - Shots lista a 1,50 Eur All Night - Sangue de Virgem - 2,00 Eur
Sábado, 14 Novembro, chega "Before the sunrise" com Dj VLord. Uma noite de musica goth, rock, metal, indie, ebm e industrial, bem ao estilo Coviliano. Com o apio do DaemonivM.
Os Dying Fetus não precisam das nossas palavras para nada. Mas precisam da nossa audição. É disso e para isso que uma banda vive. Estamos perante um colectivo com carreira feita, construida de forma sólida, dentro do espectro Death/Grind.
A sua aproximação a sonoridades como as de Cannibal Corpse é evidente. Também não era suposto ser "escondido". Situam-se na mesma onda, com um gutural marcante e forte, cortesia de John Gallager, que acumula a execução das guitarras. Aliás por falar em instrumentos e na sua interpretação, além de ser de salutar e soblinhar a rapidez ( e perfeição) de execução deste trio (precisamente por ser um trio), o que mais surpreende é a aproximação a outros géneros, que aqui são claramente sub-géneros.
Falamos de uns toques de Behemoth ou Black Dahlia Murder. De forma subtil, ora pois mas há aqui mais do que o gutural ou os riffs de caríz mais carregados. Temas há em que a voz é gritada, mesmo que acompanhada com umas guitarras lentas, de tom carregado, para que não se perca o rumo. Isto porque sem ser um registo de muitas variações, tem algumas dinâmicas, vocais e instrumentais, que o afastam de um certo marasmo em que composições deste género (normalmente) carregam.
Já temos em mãos o single de apresentação do novo material dos Secrecy. Duas novas faixas, "Shadows call" e "Sands of dispair", as quais vão merecer a nossa melhor atenção. Brevemente em resenha no DaemonivM.
A audição deste segundo disco destes norte americanos Revocation revelou-se (bem) mais interessante do que à partida se poderia imaginar. Desde logo desconheciamos a banda por completo. Quantas vezes isso não se revela um factor importante, porquanto não dá lugar a ideias pré-concebidas, ou a juízos de valor.
Aqui a audição era completamente virgem. Mentira. Havia qualquer coisa que já conheciamos da banda. Conhecer talvez não seja o termo mais correcto mas a capa que este "Existence is futile" tem, aliado ao facto do disco provir da Relapse Records, ajudavam a enquadrar a banda e o que iriamos ouvir. Salientamos aqui que se trata o segundo de três discos que a editora nacional Major Label Industries nos facultou.
Passando às palavras e à audição propriamente dita, Death Metal. Thrash Metal. Duas tendências tão amplas quanto as...noventa e nova faixas que aqui nos são dadas a ouvir. Obviamente que condensadas em faixas de poucos segundos, tão seguido que mal ouvimos a passagem das músicas.
Ponto a favor. Tal como a favor é a panóplia que a banda concede às suas faixas. Em nada redutor a definição Thrash/Death. Há aqui Megadeath, Nevermore, como existeBehemoth ou Testament. Aliás há uma variação de ritmos, de vocalizações, coordenadas com riffs cativantes, que transformam a audição das....noventa e nove faixas uma tarefa simpática. Simpática e atractiva. Longe daquelas descargas de decibéis, gostamos (e aqui encontra-se) dos sons mais "balizados". Há de muito um pouco. E bem feito.
"No mercy in his eyes" é o resultado dos primeiros dois anos de vida dos Suffochate, banda nortenha que se equilibra entre um Death/Thrash Metal, com toques progressivos. As referências que guiam os cinco temas são pois estas, mas a banda adiciona-lhe uma forte tendência negra, carregada, transformando os temas em algo "difícil de se ouvir".
Não se trata de uma ideia depressiativa, bem pelo contrário. A banda, sem ser particularmente original ou inovadora nas suas composições, consegue dar a ouvir uma maturidade e capacidade de criação acima da média.
Com uma melodia forte, tendência sueca que as suas músicas detêm, a banda vai beber a outras fontes, mercê da voz gutural mais forte e arrastada, bem como algumas faixas mais compassadas, algo que se sente nos colectivos americanos.
De resto há a aprticipação de Miguel, vocalista dos Equaleft, no tema "Fearing for their lives", em que a banda parece deixar de lado a sua veia Thrash, substituindo-a por qualquer coisa mais "Opethiana". Sentem que há aqui misturas a mais?Garantimos que não. Tudo é feito com uma dose de coerência, que os seus dois anos de existência são suficientes para oferecer. E a isto em nada deve ser estranho a bela qualidade de gravação de Paulo Lopes, nos Soundvision. Banda a manter debaixo de olho e onde a tendência mais arrastada das faixas nos agradou sobremaneira.
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O Autor | O Projecto:
Lembro me do meu primeiro disco. Paradise Lost, “Draconian Times”, comprado em 1996. Fez-me cair na rotina daqueles que ouvem música, este género em especial: achar que podia fazer mais qualquer coisa, além do que apenas ouvir. Escrever. Numa época em que as existiam bastantes fanzines, e que a par dos programas de rádio, marcavam imenso a divulgação de bandas underground, crei mais uma. Diabolicus Diluvium, com a ajuda do amigo Bruno Lemos. Os dotes informáticos eram pouco inferiores ao que são agora, muito curtos, daí termos elaborado um primeiro exemplar, apenas com duas folhas, e que seguia a linha de algumas que circulavam na altura. Nada de transcendente, bem pelo contrário, o mesmo se diga em relação à escrita. Primeira banda entrevistada, os Fatality, banda de Grindcore, e recordo perfeitamente a piada mais frequente na altura, de não divulgarmos a nossa idade, temendo que as bandas não respondessem às nossas cartas, o mesmo no gesto mais vulgar, o de enviar uma carta, que continha na saudação Hail!, e nós ficarmos sem saber o que queria dizer tal termo. A Diabolicus Diluvium acaba por durar cinco anos, erguendo-se num número de páginas muito bom, vinte e cinco, e onde foi editado uma compilação, “Transcending Plasma”, sendo importante destacar nessa fase Pedro Amaral, que passou a cuidar da parte gráfica.
Como todos também senti mudanças na minha vida, falo no plano pessoal. Importantes, em nada relativas, algumas delas já se denotam naquilo que hoje faço. A pausa. A inquietação por não escrever mais desde o fim da Diabolicus Diluvium e para fazer face a isso, a criação de uma newsletter de apenas uma página, que chegou a ter o seu número 0, sem nada de mítico, pois já não havia pedalada para lutar contra os avanços informáticos, que galoparam contra o tempo e contra tudo o que de mais tradicional/formal se fazia. Era inevitável. Dei lhe o nome Daemoniah.
Lembro-me de outra data, 2000. Comecei a colaborar num programa de rádio, com o orgulho que ainda tenho, ao mencionar esse facto. O Caixa de Pandora, que outrora se chamara Eutanásia, ou Cessar-fogo, e que hoje opera como Segredos da Lua, apresentado por Paulo Gonçalves, pretendia um espaço quinzenal, com três demos. Entre algum pavor, pelo facto de transpor vocalmente, aquilo que normalmente realizava por escrito, o convite tornava-se mais aliciante (leia-se perigoso) pelo facto de apresentar três novas maquetas todos os quinze dias. A rubrica chamava-se Esplendor do Kaos, durou quatro anos, traduzindo-se no projecto que mais orgulho, volto a frisar o termo, me deu, por mais importantes que a Diabolicus Diluvium ou o DaemonivM tenham sido/sejam. Surge o DaemonivM...
Fruto nas novas tendências e por mais que se diga (ou sinta) preferência pelo formato tradicional, em papel, assim como pela facilidade em constituir um blogue, surge o DaemonivM, anunciado na outra resenha como o passo seguinte (porque não dizê-lo final?). Antes porém, uma edição em formato papel, mais uma, com a denominação D:/moni1/, que depois iria ser transposta para o blogue, em conjunto com o Opuskulo. Ainda hoje me parece uma aposta interessante porque em apenas quatro páginas se contrapunha ideias e escrita. Durou apenas a edição de estreia.
Havia então que indagar sobre o que era um blogue, achar um endereço, que ainda hoje causa enganos. Procurou criar-se um link que usasse as iniciais do abecedário mas que acabasse por formar demonium. Daí o abcde e que origina algumas trocas de nome.
A história mais, já mais recente reporta-se a Outubro de 2005. Numa altura em que existiam um número elevado de espaços com o mesmo formato, com a mesma temática, havia que procurar diferenças. E nesse campo parece-me que o DaemonivM sai vitorioso. Desde as entrevistas realizadas todas as Segundas- feiras, os comentadores frequentes, passando pelo evento comemorativo do primeiro aniversário, e pela distribuição de bandas, onde o balanço é positivo, convém mencionar um aspecto fundamental: a regularidade.
Novo formato do espaço, actualizado de acordo com as necessidades de quem o visita e de quem o realiza, o agradecimento ao António Paulo Chaparro, pelas horas realizadas em torno do DaemonivM.