Começa a ser uma prática saudável, o D:/moni1/ trazer reportagens de concertos, escritos por pessoas diferentes. Mostra que o nosso espaço é também vosso e está aberto a todas as iniciativas do género. Desta vez, fica a reportagem ao concerto de 11 de Março, dos Urban Tales, escrito por Carla Isidoro.
À hora marcada o bar ainda não tinha clientela e número suficiente de curiosos para fazer arrancar o concerto tão aguardado. E, como vai acontecendo na noite, cerca de meia hora mais tarde o ambiente começa a compor-se. O público vai chegando e começamos a sentir a expectativa crescer. Gente maioritariamente jovem, trajando roupas negras, vai aguardando frente ao palco e junto ao balcão do bar. Enquanto começa e não começa o espectáculo, bebem-se algumas cervejas, fumam-se uns cigarros e conversa-se. Ouvem-se comentários aqui e ali sobre a voz do cantor, as letras das canções e o futuro promissor que esperam que tenha. Ainda sem álbum lançado, os Urban Tales têm já um grupo de fãs. Marcos sobe ao palco e arranca com o tema "Intro for a Suicide". Atrás de si, na tela, projectam-se imagens de um televisor com imagens dessincronizadas dando ao ambiente uma envolvência especial, claramente preparada para o efeito, reforçando a expressividade gótica da banda. O público adere no final com uma forte ovação e ouvem-se os primeiros assobios da noite. Segue-se o tema "(11 Minutes) on the other Side", "The Rise" (subindo ao palco dois convidados: João Van Dave (Heavenly Bride e Tearful) e Claúdia Dias), e o tão aguardado "Until I Died" (com João Silva dos extintos Icon ADN the Black Roses no palco). O intervalo entra mas os momentos de energia não morrem. Alunas da escola de artes circences do Chapitô animam os minutos de pausa com jogos de fogo. Logo de seguida, o single "In Purity" aquece de forma inigualável o espaço e arranca da audiência a energia que parecia guardada para este tema. A letra é entoada por muitos, o refrão reforçado pelos corpos que já dançam na pista e pelos braços no ar. Esta música tem uma força vital, uma letra (tal como na maioria das letras dos temas de Urban Tales) forte e bem trabalhada e um ritmo puxado até a um ponto em que percebemos que a banda pode ir longe e tem capacidade para construir um repertório original e demarcado no panorama português. Arranca a segunda parte com o público expectante e seguem-se os temas finais já com André Brito (da banda Adore) como convidado para um dueto com Marcos nos temas "In Purity" e "Super star", no tema "you`ll never know". foi a dupla João Van Dave e Claúdia Dias que subiram ao palco. Para terminar em beleza a banda convidou todos os presentes a participarem, como público, na gravação da sua curta-metragem. Além de termos o privilégio de aparecer no vídeo, queremos continuar a ter o privilégio de vê-los ao vivo. O novo Gothic Metal feito em Portugal está cheio de saúde.
Carla Isidoro (Editora da Diff Magazine, tendo já trabalhado em inúmeros Jornais, Revistas e programas de Televisão)
Posted by Hugo Guerreiro on Quinta-feira, Março 23, 2006 at 21:33 | Permalink
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O Autor | O Projecto:
Lembro me do meu primeiro disco. Paradise Lost, “Draconian Times”, comprado em 1996. Fez-me cair na rotina daqueles que ouvem música, este género em especial: achar que podia fazer mais qualquer coisa, além do que apenas ouvir. Escrever. Numa época em que as existiam bastantes fanzines, e que a par dos programas de rádio, marcavam imenso a divulgação de bandas underground, crei mais uma. Diabolicus Diluvium, com a ajuda do amigo Bruno Lemos. Os dotes informáticos eram pouco inferiores ao que são agora, muito curtos, daí termos elaborado um primeiro exemplar, apenas com duas folhas, e que seguia a linha de algumas que circulavam na altura. Nada de transcendente, bem pelo contrário, o mesmo se diga em relação à escrita. Primeira banda entrevistada, os Fatality, banda de Grindcore, e recordo perfeitamente a piada mais frequente na altura, de não divulgarmos a nossa idade, temendo que as bandas não respondessem às nossas cartas, o mesmo no gesto mais vulgar, o de enviar uma carta, que continha na saudação Hail!, e nós ficarmos sem saber o que queria dizer tal termo. A Diabolicus Diluvium acaba por durar cinco anos, erguendo-se num número de páginas muito bom, vinte e cinco, e onde foi editado uma compilação, “Transcending Plasma”, sendo importante destacar nessa fase Pedro Amaral, que passou a cuidar da parte gráfica.
Como todos também senti mudanças na minha vida, falo no plano pessoal. Importantes, em nada relativas, algumas delas já se denotam naquilo que hoje faço. A pausa. A inquietação por não escrever mais desde o fim da Diabolicus Diluvium e para fazer face a isso, a criação de uma newsletter de apenas uma página, que chegou a ter o seu número 0, sem nada de mítico, pois já não havia pedalada para lutar contra os avanços informáticos, que galoparam contra o tempo e contra tudo o que de mais tradicional/formal se fazia. Era inevitável. Dei lhe o nome Daemoniah.
Lembro-me de outra data, 2000. Comecei a colaborar num programa de rádio, com o orgulho que ainda tenho, ao mencionar esse facto. O Caixa de Pandora, que outrora se chamara Eutanásia, ou Cessar-fogo, e que hoje opera como Segredos da Lua, apresentado por Paulo Gonçalves, pretendia um espaço quinzenal, com três demos. Entre algum pavor, pelo facto de transpor vocalmente, aquilo que normalmente realizava por escrito, o convite tornava-se mais aliciante (leia-se perigoso) pelo facto de apresentar três novas maquetas todos os quinze dias. A rubrica chamava-se Esplendor do Kaos, durou quatro anos, traduzindo-se no projecto que mais orgulho, volto a frisar o termo, me deu, por mais importantes que a Diabolicus Diluvium ou o DaemonivM tenham sido/sejam. Surge o DaemonivM...
Fruto nas novas tendências e por mais que se diga (ou sinta) preferência pelo formato tradicional, em papel, assim como pela facilidade em constituir um blogue, surge o DaemonivM, anunciado na outra resenha como o passo seguinte (porque não dizê-lo final?). Antes porém, uma edição em formato papel, mais uma, com a denominação D:/moni1/, que depois iria ser transposta para o blogue, em conjunto com o Opuskulo. Ainda hoje me parece uma aposta interessante porque em apenas quatro páginas se contrapunha ideias e escrita. Durou apenas a edição de estreia.
Havia então que indagar sobre o que era um blogue, achar um endereço, que ainda hoje causa enganos. Procurou criar-se um link que usasse as iniciais do abecedário mas que acabasse por formar demonium. Daí o abcde e que origina algumas trocas de nome.
A história mais, já mais recente reporta-se a Outubro de 2005. Numa altura em que existiam um número elevado de espaços com o mesmo formato, com a mesma temática, havia que procurar diferenças. E nesse campo parece-me que o DaemonivM sai vitorioso. Desde as entrevistas realizadas todas as Segundas- feiras, os comentadores frequentes, passando pelo evento comemorativo do primeiro aniversário, e pela distribuição de bandas, onde o balanço é positivo, convém mencionar um aspecto fundamental: a regularidade.
Novo formato do espaço, actualizado de acordo com as necessidades de quem o visita e de quem o realiza, o agradecimento ao António Paulo Chaparro, pelas horas realizadas em torno do DaemonivM.