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Info - OPA


Continuamos a dar destaque a projectos emergentes da nossa música, no que à música alternativa diz respeito. A OPA não é, por isso mesmo, um nome estranho para os nossos leitores/visitantes...mas para o conhecer e dar a conhecer melhor, entrevistámos Cláudia Matos Silva, a sua mentora. A imagem é da autoria de Miguel Cardoso (www.caferoubado.blogspot.com)
P - Fala-me da OPA?

A OPA é um programa que tem como principal objectivo divulgar a nova música portuguesa, se bem que nunca esquece os pioneiros, os que abriram as portas e que influenciam e continuarão a influenciar os novos projectos musicais que vão surgindo aqui e acolá. A ideia surgiu quando após conversar com alguns músicos me apercebi que muitos são os que lançam cds que nunca chegam a tocar na rádio. Cds esses que costumam ter um triste fim, algures naquelas caixas de cds a granel numa grande superfície e ao preço da uva mijona. Já encontrei excelentes cds de música portuguesa nessas condições, o que até agradeço, por 1Euro levo uns Nicorette, Plastica ou Zedisaneonlight. Mas depois fico a pensar nisto. E como diz o ditado “a pensar morreu um burro”, eu resolvi fazer alguma coisa. Tendo em conta o meu historial profissional, esta é a única maneira de contribuir, para dar oportunidade a que bandas cujos temas não são tocados noutras rádios que pelo menos possam ter direito aos seus minutos de antena, que em muitos dos casos devido aos esforço estóico e à dedicação e devoção profundas, lhes são mais do que devidos.

P - Se bem entendi dedica-se a sonoridades alternativas, certo? Mas alargaram um pouco o vosso raio de acção e entrevistaram os Assemblent, como foi a experiência?

Bom, eu nunca pensei na OPA como um programa que beneficia sonoridades alternativas, se bem que não posso dissociar a OPA dos meus gostos pessoais. Não morro de amores por tudo o que passa na OPA mas defendo todas as músicas e respectivas bandas da mesma maneira, caso contrário não as passaria. Os meus gostos pessoais a nível de música nacional estão muito mais direccionados para um panorama experimental e alternativo mas por isso mesmo tenho-me predisposto a passar outros géneros bem diferentes, para que não seja a OPA da Cláudia. A prova disso foi sem duvida a entrevista aos Assemblent e um especial destaque ao metal nacional. Ao longo de tantos anos de rádio foi a primeira vez que mergulhei em sonoridades metaleiras. Confesso, não me senti como peixe na água, o que não quer dizer que esta não seja uma experiência a repetir, bem pelo contrário. Já fiz mais uns quantos contactos com bandas do género e é possível que tenhamos mais OPAs com metal português. Espero que isso seja um motivo para que pelo menos nesses dias os leitores deste blog oiçam a OPA.
P - E como achas que estão as rádios em Portugal...desde condições, ouvintes...

Ah o que foste perguntar!!! Já me puxaste pela língua. As rádios em Portugal não estão em crise como se diz. Alguém resolveu espalhar o rumor para ver se nós acreditamos e nos deixamos ficar sem estrebuchar muito. A crise neste momento está na cabeça dos directores das rádios e aqui não culpo apenas os directores de programas porque eles no fundo limitam-se a seguir à risca a linha que foi traçada pelos tais que querem fazer tipo RQNC “Rádio Que Não Chateia”. A rádio que se ouve nas bombas de gasolina, nos cafés, nas esplanadas e por ai adiante. Acho inaceitável que todas as rádios se tenham lembrado, e aqui aproveito para criticar algumas rádios locais também, que a fórmula “tiro e queda” é algo como música pop com umas quantas baladas à mistura e uns sucessos do passado porque o povo português é saudosista, assim dizem os nossos antepassados. Continuamos a ouvir “Sultans of Swing” dos Dire straits como se fossem, mais do que sucessos do passado, mas sucessos do futuro, pois por este caminho andaremos a ouvir as mesmas coisas durante os próximos 50 anos.
Uma das coisas que me intrigam é porque não há uma rádio de metal? Eu não seria uma fan ,mas quantos de vocês não seriam? Saltamos de rádio em rádio e são todas cópias umas das outras com as playlists definidas ao metro. Salvo as excepções Antena 2, Radar, Oxigénio e Marginal, e mais recentemente a foxx todas as outras me parecem rádios formatadas. Não que estas não sejam também, porque o são, mas pelo menos atrevem-se a passar músicas que não ouvimos em mais rádio nenhuma.

Depois há outro problema, de há uns anos para cá os locutores/animadores têm vindo a ser dispensados da rádio. Penso que alguém entendeu mal a vinda dos computadores para o mundo da rádio. É que eles vieram para nos ajudar, para nos facilitar, para inclusivé nos fazer brilhar...mas alguém entendeu mal a mensagem e resolveu acabar connosco. Sei de muitos ex colegas que neste momento estão no desemprego porque as rádios onde trabalhavam estão a funcionar com um computador que mete música, coloca as vozes gravadas com autonomia, sem esquecer jingles, sinais horários e publicidade. Uma maravilha para aqueles que acham que os locutores/animadores são uns temperamentais, ao menos os computadores não se queixam. Isto quase dá vontade de dizer “computer killed the radio star” mas seria uma injustiça, para mim os computadores são aliados e os verdadeiros “assassinos” da rádio em Portugal continuam ai a monte...
Queria perguntar te o que achas da disponibilidade das bandas para participarem no vosso programa? Isto porque muitas vezes temos de andar atràs das bandas...devia ser o inverso...

Incrível, não é? Ao contrário de alguns colegas eu até não ando assim muito atrás das bandas. Não querem mandar, não mandam. Não respondem, não passam. E no meu caso até é um alívio porque afinal de contas boa música portuguesa é o que não falta. Crise, bolas, só eu não vejo crise. Até a nível criativo as bandas continuam a superar-se. E eu que o diga pois todos os dias me perco no myspace.com a descobri uma e mais outra e outra ainda aquilo é uma autêntica bolha criativa prestes a rebentar...e espero que rebentem todas para dentro da OPA. De qualquer forma não queria deixar de dar a minha alfinetada. Presto os meus elogios a algumas bandas que fazem questão de enviar o CD e não o mp3 por e-mail. É uma atitude profundamente profissional e eu sei como vos custa estarem a arcar com as despesas para o pagamento dos selos e afins e por isso reconheço esse esforço. O mesmo esforço reconheço às pequenas editoras que arranjam sempre espaço para mais um e ajudam-me a promover uma opa cada vez mais qualitativa. Quantas às grandes editoras, pois às grandes só lhes interessam as rádios grandes, o que é um enorme erro, quase tão grande como estarem mais preocupados com os cds que os portugueses deixaram de comprar para sacar da internet. Infelizmente não conseguem perceber que a internet pode ser a maior aliada a defender os seus interesses. Mas quem sou eu para lhes explicar isso? Eles é que são os tais que vão para a TV promover debates sobre a música portuguesa colocando a tocar sempre os mesmos esquecendo praticamente a nova geração de músicos que com tão pouco têm feito mais e melhor.

P - Explica às bandas o que precisam fazer para obter divulgação na OPA

Bom, depois destas minhas alfinetadas duvido que alguém queira enviar as maquetes para a OPA, afinal de contas acabam de serrar a vossa lápide para um futuro contrato com uma grande editora...heheheh...aos mais corajosos é simples, não tem ciência nenhuma. Basta que me enviem um e-mail para claudiamatossilva@gmail.com com a vossa maquete e uma biografia.

Posted by Hugo Guerreiro on Terça-feira, Agosto 22, 2006 at 11:44 | Permalink

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    O Autor | O Projecto:
    Lembro me do meu primeiro disco. Paradise Lost, “Draconian Times”, comprado em 1996. Fez-me cair na rotina daqueles que ouvem música, este género em especial: achar que podia fazer mais qualquer coisa, além do que apenas ouvir. Escrever. Numa época em que as existiam bastantes fanzines, e que a par dos programas de rádio, marcavam imenso a divulgação de bandas underground, crei mais uma. Diabolicus Diluvium, com a ajuda do amigo Bruno Lemos. Os dotes informáticos eram pouco inferiores ao que são agora, muito curtos, daí termos elaborado um primeiro exemplar, apenas com duas folhas, e que seguia a linha de algumas que circulavam na altura. Nada de transcendente, bem pelo contrário, o mesmo se diga em relação à escrita. Primeira banda entrevistada, os Fatality, banda de Grindcore, e recordo perfeitamente a piada mais frequente na altura, de não divulgarmos a nossa idade, temendo que as bandas não respondessem às nossas cartas, o mesmo no gesto mais vulgar, o de enviar uma carta, que continha na saudação Hail!, e nós ficarmos sem saber o que queria dizer tal termo. A Diabolicus Diluvium acaba por durar cinco anos, erguendo-se num número de páginas muito bom, vinte e cinco, e onde foi editado uma compilação, “Transcending Plasma”, sendo importante destacar nessa fase Pedro Amaral, que passou a cuidar da parte gráfica.

    Como todos também senti mudanças na minha vida, falo no plano pessoal. Importantes, em nada relativas, algumas delas já se denotam naquilo que hoje faço. A pausa. A inquietação por não escrever mais desde o fim da Diabolicus Diluvium e para fazer face a isso, a criação de uma newsletter de apenas uma página, que chegou a ter o seu número 0, sem nada de mítico, pois já não havia pedalada para lutar contra os avanços informáticos, que galoparam contra o tempo e contra tudo o que de mais tradicional/formal se fazia. Era inevitável. Dei lhe o nome Daemoniah.

    Lembro-me de outra data, 2000. Comecei a colaborar num programa de rádio, com o orgulho que ainda tenho, ao mencionar esse facto. O Caixa de Pandora, que outrora se chamara Eutanásia, ou Cessar-fogo, e que hoje opera como Segredos da Lua, apresentado por Paulo Gonçalves, pretendia um espaço quinzenal, com três demos. Entre algum pavor, pelo facto de transpor vocalmente, aquilo que normalmente realizava por escrito, o convite tornava-se mais aliciante (leia-se perigoso) pelo facto de apresentar três novas maquetas todos os quinze dias. A rubrica chamava-se Esplendor do Kaos, durou quatro anos, traduzindo-se no projecto que mais orgulho, volto a frisar o termo, me deu, por mais importantes que a Diabolicus Diluvium ou o DaemonivM tenham sido/sejam. Surge o DaemonivM...

    Fruto nas novas tendências e por mais que se diga (ou sinta) preferência pelo formato tradicional, em papel, assim como pela facilidade em constituir um blogue, surge o DaemonivM, anunciado na outra resenha como o passo seguinte (porque não dizê-lo final?). Antes porém, uma edição em formato papel, mais uma, com a denominação D:/moni1/, que depois iria ser transposta para o blogue, em conjunto com o Opuskulo. Ainda hoje me parece uma aposta interessante porque em apenas quatro páginas se contrapunha ideias e escrita. Durou apenas a edição de estreia. Havia então que indagar sobre o que era um blogue, achar um endereço, que ainda hoje causa enganos. Procurou criar-se um link que usasse as iniciais do abecedário mas que acabasse por formar demonium. Daí o abcde e que origina algumas trocas de nome. A história mais, já mais recente reporta-se a Outubro de 2005. Numa altura em que existiam um número elevado de espaços com o mesmo formato, com a mesma temática, havia que procurar diferenças. E nesse campo parece-me que o DaemonivM sai vitorioso. Desde as entrevistas realizadas todas as Segundas- feiras, os comentadores frequentes, passando pelo evento comemorativo do primeiro aniversário, e pela distribuição de bandas, onde o balanço é positivo, convém mencionar um aspecto fundamental: a regularidade. Novo formato do espaço, actualizado de acordo com as necessidades de quem o visita e de quem o realiza, o agradecimento ao António Paulo Chaparro, pelas horas realizadas em torno do DaemonivM.

    Lisboa, 11 de Novembro de 2007

    18H53M

    Hugo Guerreiro

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