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Autumbnlaze - "Perdition Diaries"
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NEONIRICO . a entrevista

Das cinzas dos The SymphOnyx surgiram os Neonírico. Mantendo a mesma estrutura, a mesma identidade musical e a mesma editora, "Renaissance" é a estreia em disco. Aqui fica a entrevista.

P – Comecemos pelos The SymphOnyx e pelo motivo que levou ao seu fim. Não sei se deram a banda como encerrada ou se apenas fizeram um hiato...


N. – Não podemos dizer que se deu o fim da banda, mas sim uma metamorfose. Mudámos de nome por necessidade de o enquadrarmos no novo registo, no novo estilo que se desenhou e impôs à medida que íamos gravando o disco “Renaissance”. Sentimos que teríamos de procurar uma nova designação para os sentimentos que perpassavam todo o disco e, como se trata de um trabalho temático que foi gravado com um novo line-up (João Guimarães e Carla Ricardo, vozes, Martinho Torres, guitarra, e Carlos Torres, bateria), fazia todo o sentido procurar um nome que designasse as expectativas e vontades de todos os elementos. “Neonírico” – Novo Sonho – é o resultado dessa reflexão.

P – É por essa razão que há muitos pontos de contacto entre os projectos. Quais as principais confluências e em que aspectos divergem estes dois projectos?


N. – Há, de facto, muitos pontos de contacto entre ambos. Uma das principais razões será a de, em ambos os projectos, o compositor ser o guitarrista Martinho Torres, como tal, as temáticas e ambiências acabam por convergir de forma natural. Não se pode dizer que haja muitas diferenças, a não ser os registos de voz que, desta feita, foram assumidos pelo João e pela Carla, notando-se, neste campo, uma maior abertura para o experimentalismo e uma maior destreza na técnica vocal. A exploração de novas áreas musicais é também uma marca deste disco; há espaço para alguns apontamentos electrónicos, para algumas abordagens menos convencionais a que não estamos habituados no rock. Decidimos também musicar dois poemas (Bocage e Baudelaire), o que conferiu uma dimensão universal ao trabalho. Ao vivo, e tendo em conta o carácter encenado do espectáculo anterior, mantemos, neste novo concerto, um cuidado especial com a nossa imagem, pelo que recorremos ao conceituado estilista Paulo Julião para nos vestir; o concerto é bastante narrativo, com projecção e cenografia, tornando-se intenso e único. Em suma, é uma viagem singular, em que cada espírito pode decidir vogar na direcção desejada.


P – Os The SymphOnyx já trabalhavam com a Ethereal. Foi fácil chegar a esta edição com Neonírico e a Ethereal?

N. – Várias questões tiveram de ser resolvidas, mas acabamos por chegar a um acordo.

P – Enquadram o Renascimento nas vossas temáticas. Resulta da leitura de alguns escritos sobre essa fase, apenas a necessidade de encontrar enquadramento para a banda, ou gosto pessoal?


N. – O termo “Renascimento” surge no contexto da transformação, da metamorfose. A fase histórica do Renascimento tem um pouco esse sentido, pois dá-se após alguns problemas e dificuldades terem sido impostos à humanidade; houve essa necessidade de sobrevivência e renovação do espírito, algo com que nos identificamos. Na área da música, um pouco como na vida, é preciso estar à altura dos desafios, é preciso saber cair e levantar. É um constante processo de regeneração que tem de estar aliado à perseverança; nós continuamos vivos e na luta, ao contrário de muitos que, à primeira contrariedade, se deixam abater. No final, vence o talento e a capacidade.

P – E no estrangeiro, qual tem sido o feedback? Pergunto porque sei do vosso reconhecimento no Canadá...


N. – Estamos, nesta fase, a fidelizar ouvintes um pouco por todo o mundo. No Canadá, em especial na Rádio Bizz, temos uma consistente base de apoio. Podemos dizer que continuam a consumir a nossa música e sob as mais variadas formas, pois com os actuais meios tecnológicos à disposição, existem infinitas formas de acesso à nossa música. Fazemos parte de algumas playlists internacionais, como é o caso da Rádio Quartz, da Bélgica, e continuamos a ter encomendas regulares para vários países e várias solicitações de rádios e imprensa. Estamos a gerir o todo com método para podermos capitalizar ainda mais a nossa marca.

P – Tendo elementos já com larga experiência no meio, é natural que tenham feito balanços. O que podia ter sido feito melhor, para que, por exemplo as carreiras seguissem outro rumo?


N. – O grande problema de quase todas as bandas prende-se com o facto de não ser fácil estabilizar o seu line-up. No nosso caso, e ao fim de quase quinze anos de instabilidade e edições irregulares, podemos dizer que atingimos um patamar de segurança que nos permite olhar para o futuro com bons olhos. Temos um plano de consolidação no mercado nacional e internacional que nos permitirá editar, com regularidade, discos consistentes e personalizados, sempre na vanguarda da tecnologia e das novas tendências, sem nunca abdicarmos da solidez musical e artística que são a nossa imagem de marca. Desde há três anos que se têm alcançado os objectivos pretendidos, para isso tivemos de alterar a gestão do grupo, corrigimos muita coisa que estava mal e estamos no bom caminho.

P – Se vos pedir uma comparação ou uma situação da música dos Neonírico, o que me dirão, atendendo quer ao mercado nacional, quer ao estrangeiro?


N. – Em Neonírico não procuramos uma identificação com uma vertente única do mercado, pois acreditamos que a nossa música pode ser consumida por todo o tipo de público, sem restrições ou preconceitos. É nosso propósito levar mais longe o nosso trabalho, pelo que trabalhamos diariamente nesse sentido. Esta é a nossa linha orientadora, a nossa filosofia.


P – Últimos pensamentos.


N. – Tendo em conta que a temática do disco é a morte, como últimos pensamentos desejamos paz de espírito a quem ouve a nossa música e que possam desfrutar da sua mensagem e das vibrações positivas. Consultem os nossos sites em www.neonirico.com e www.myspace.com/neonirico e descubram mais sobre nós…



CONTACTAR E OUVIR NEONIRICO

Posted by Hugo Guerreiro on Segunda-feira, Julho 13, 2009 at 19:05 | Permalink

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    O Autor | O Projecto:
    Lembro me do meu primeiro disco. Paradise Lost, “Draconian Times”, comprado em 1996. Fez-me cair na rotina daqueles que ouvem música, este género em especial: achar que podia fazer mais qualquer coisa, além do que apenas ouvir. Escrever. Numa época em que as existiam bastantes fanzines, e que a par dos programas de rádio, marcavam imenso a divulgação de bandas underground, crei mais uma. Diabolicus Diluvium, com a ajuda do amigo Bruno Lemos. Os dotes informáticos eram pouco inferiores ao que são agora, muito curtos, daí termos elaborado um primeiro exemplar, apenas com duas folhas, e que seguia a linha de algumas que circulavam na altura. Nada de transcendente, bem pelo contrário, o mesmo se diga em relação à escrita. Primeira banda entrevistada, os Fatality, banda de Grindcore, e recordo perfeitamente a piada mais frequente na altura, de não divulgarmos a nossa idade, temendo que as bandas não respondessem às nossas cartas, o mesmo no gesto mais vulgar, o de enviar uma carta, que continha na saudação Hail!, e nós ficarmos sem saber o que queria dizer tal termo. A Diabolicus Diluvium acaba por durar cinco anos, erguendo-se num número de páginas muito bom, vinte e cinco, e onde foi editado uma compilação, “Transcending Plasma”, sendo importante destacar nessa fase Pedro Amaral, que passou a cuidar da parte gráfica.

    Como todos também senti mudanças na minha vida, falo no plano pessoal. Importantes, em nada relativas, algumas delas já se denotam naquilo que hoje faço. A pausa. A inquietação por não escrever mais desde o fim da Diabolicus Diluvium e para fazer face a isso, a criação de uma newsletter de apenas uma página, que chegou a ter o seu número 0, sem nada de mítico, pois já não havia pedalada para lutar contra os avanços informáticos, que galoparam contra o tempo e contra tudo o que de mais tradicional/formal se fazia. Era inevitável. Dei lhe o nome Daemoniah.

    Lembro-me de outra data, 2000. Comecei a colaborar num programa de rádio, com o orgulho que ainda tenho, ao mencionar esse facto. O Caixa de Pandora, que outrora se chamara Eutanásia, ou Cessar-fogo, e que hoje opera como Segredos da Lua, apresentado por Paulo Gonçalves, pretendia um espaço quinzenal, com três demos. Entre algum pavor, pelo facto de transpor vocalmente, aquilo que normalmente realizava por escrito, o convite tornava-se mais aliciante (leia-se perigoso) pelo facto de apresentar três novas maquetas todos os quinze dias. A rubrica chamava-se Esplendor do Kaos, durou quatro anos, traduzindo-se no projecto que mais orgulho, volto a frisar o termo, me deu, por mais importantes que a Diabolicus Diluvium ou o DaemonivM tenham sido/sejam. Surge o DaemonivM...

    Fruto nas novas tendências e por mais que se diga (ou sinta) preferência pelo formato tradicional, em papel, assim como pela facilidade em constituir um blogue, surge o DaemonivM, anunciado na outra resenha como o passo seguinte (porque não dizê-lo final?). Antes porém, uma edição em formato papel, mais uma, com a denominação D:/moni1/, que depois iria ser transposta para o blogue, em conjunto com o Opuskulo. Ainda hoje me parece uma aposta interessante porque em apenas quatro páginas se contrapunha ideias e escrita. Durou apenas a edição de estreia. Havia então que indagar sobre o que era um blogue, achar um endereço, que ainda hoje causa enganos. Procurou criar-se um link que usasse as iniciais do abecedário mas que acabasse por formar demonium. Daí o abcde e que origina algumas trocas de nome. A história mais, já mais recente reporta-se a Outubro de 2005. Numa altura em que existiam um número elevado de espaços com o mesmo formato, com a mesma temática, havia que procurar diferenças. E nesse campo parece-me que o DaemonivM sai vitorioso. Desde as entrevistas realizadas todas as Segundas- feiras, os comentadores frequentes, passando pelo evento comemorativo do primeiro aniversário, e pela distribuição de bandas, onde o balanço é positivo, convém mencionar um aspecto fundamental: a regularidade. Novo formato do espaço, actualizado de acordo com as necessidades de quem o visita e de quem o realiza, o agradecimento ao António Paulo Chaparro, pelas horas realizadas em torno do DaemonivM.

    Lisboa, 11 de Novembro de 2007

    18H53M

    Hugo Guerreiro

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