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TARGET 35 . a review

TARGET 35
"Post Rock Mortem"



Sugestivo título dos Target 35. O Rock é um dos géneros que mais mutações poderá sofrer, sem que perca o fio condutor. Mas de quando em vez surgem-nos grupos que desafiam a nossa capacidade auditiva, em cada tema, em cada segundo de música (quase de forma linear), bandas que mantendo uma identidade vão construindo a sua música, à medida que o disco vai evoluindo.

No caso destes Target 35 a sua estória também é linear. Contando com membros que já pertenceram a grupos como Disaffected ou 20InchBurial, a banda que se iniciou em 2005 e iniciou a gravação de quatro faixas nos BlackSheep Stúdios, numa onda mais Hardcore/Scremo do que aquela que está patente em "Post Rock Mortem".

Uma das ilações que facilmente se retira destas cinco músicas, é de que o rock não sai assassinado. Mas sai mexido. Não na sua identidade mas no seu conteúdo. Com uma captação extremamente bem conseguida por Fernando Matias, nos seus Urban Insect Stúdios, sublinha-se as variações vocais de Sérgio. Isto porque existe a dita onda Rock, sente-se os guturais vincadissimo.

"Com uma sonoridade ora inquietante ora apaziguadora, corrosiva e suave em novas deambulações sonoras". É a banda que o diz e é, de facto, o que se sente. Há aqui (algum) Deftones, mas as referências são mais, são maiores e não se cingem a este ou aquele nome. Daí o nosso maior elogio. Boa demo. Haverá aí alguma editora que ouça o "Post Rock Mortem" ou mesmo o seu myspace?É que se a designação "Post Rock" tem várias patentes reconhecidas, ao longo do universo musical. Não poderão os Target 35 escrevê-lo em português?Podem.



. Mediocre . Insuficiente . Suficiente . Bom . Muito Bom . Excelente .



CONTACTAR E OUVIR TARGET 35

Posted by Hugo Guerreiro on Segunda-feira, Julho 13, 2009 at 19:32 | Permalink

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    O Autor | O Projecto:
    Lembro me do meu primeiro disco. Paradise Lost, “Draconian Times”, comprado em 1996. Fez-me cair na rotina daqueles que ouvem música, este género em especial: achar que podia fazer mais qualquer coisa, além do que apenas ouvir. Escrever. Numa época em que as existiam bastantes fanzines, e que a par dos programas de rádio, marcavam imenso a divulgação de bandas underground, crei mais uma. Diabolicus Diluvium, com a ajuda do amigo Bruno Lemos. Os dotes informáticos eram pouco inferiores ao que são agora, muito curtos, daí termos elaborado um primeiro exemplar, apenas com duas folhas, e que seguia a linha de algumas que circulavam na altura. Nada de transcendente, bem pelo contrário, o mesmo se diga em relação à escrita. Primeira banda entrevistada, os Fatality, banda de Grindcore, e recordo perfeitamente a piada mais frequente na altura, de não divulgarmos a nossa idade, temendo que as bandas não respondessem às nossas cartas, o mesmo no gesto mais vulgar, o de enviar uma carta, que continha na saudação Hail!, e nós ficarmos sem saber o que queria dizer tal termo. A Diabolicus Diluvium acaba por durar cinco anos, erguendo-se num número de páginas muito bom, vinte e cinco, e onde foi editado uma compilação, “Transcending Plasma”, sendo importante destacar nessa fase Pedro Amaral, que passou a cuidar da parte gráfica.

    Como todos também senti mudanças na minha vida, falo no plano pessoal. Importantes, em nada relativas, algumas delas já se denotam naquilo que hoje faço. A pausa. A inquietação por não escrever mais desde o fim da Diabolicus Diluvium e para fazer face a isso, a criação de uma newsletter de apenas uma página, que chegou a ter o seu número 0, sem nada de mítico, pois já não havia pedalada para lutar contra os avanços informáticos, que galoparam contra o tempo e contra tudo o que de mais tradicional/formal se fazia. Era inevitável. Dei lhe o nome Daemoniah.

    Lembro-me de outra data, 2000. Comecei a colaborar num programa de rádio, com o orgulho que ainda tenho, ao mencionar esse facto. O Caixa de Pandora, que outrora se chamara Eutanásia, ou Cessar-fogo, e que hoje opera como Segredos da Lua, apresentado por Paulo Gonçalves, pretendia um espaço quinzenal, com três demos. Entre algum pavor, pelo facto de transpor vocalmente, aquilo que normalmente realizava por escrito, o convite tornava-se mais aliciante (leia-se perigoso) pelo facto de apresentar três novas maquetas todos os quinze dias. A rubrica chamava-se Esplendor do Kaos, durou quatro anos, traduzindo-se no projecto que mais orgulho, volto a frisar o termo, me deu, por mais importantes que a Diabolicus Diluvium ou o DaemonivM tenham sido/sejam. Surge o DaemonivM...

    Fruto nas novas tendências e por mais que se diga (ou sinta) preferência pelo formato tradicional, em papel, assim como pela facilidade em constituir um blogue, surge o DaemonivM, anunciado na outra resenha como o passo seguinte (porque não dizê-lo final?). Antes porém, uma edição em formato papel, mais uma, com a denominação D:/moni1/, que depois iria ser transposta para o blogue, em conjunto com o Opuskulo. Ainda hoje me parece uma aposta interessante porque em apenas quatro páginas se contrapunha ideias e escrita. Durou apenas a edição de estreia. Havia então que indagar sobre o que era um blogue, achar um endereço, que ainda hoje causa enganos. Procurou criar-se um link que usasse as iniciais do abecedário mas que acabasse por formar demonium. Daí o abcde e que origina algumas trocas de nome. A história mais, já mais recente reporta-se a Outubro de 2005. Numa altura em que existiam um número elevado de espaços com o mesmo formato, com a mesma temática, havia que procurar diferenças. E nesse campo parece-me que o DaemonivM sai vitorioso. Desde as entrevistas realizadas todas as Segundas- feiras, os comentadores frequentes, passando pelo evento comemorativo do primeiro aniversário, e pela distribuição de bandas, onde o balanço é positivo, convém mencionar um aspecto fundamental: a regularidade. Novo formato do espaço, actualizado de acordo com as necessidades de quem o visita e de quem o realiza, o agradecimento ao António Paulo Chaparro, pelas horas realizadas em torno do DaemonivM.

    Lisboa, 11 de Novembro de 2007

    18H53M

    Hugo Guerreiro

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